Técnico

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Como fazer o descarte do óleo do meu veículo?

Danilo Silva
Engenheiro de Aplicações

Para cuidar bem de seu veículo é necessário substituir o lubrificante conforme o intervalo de troca estabelecido pelo fabricante e indicado no manual do proprietário. Isto porque ao longo do período de uso do veículo, o lubrificante se degrada e perde a capacidade de cumprir com as suas funções.  Mas, quando chega a hora de fazer a troca, o que você faz com o lubrificante velho? Nesse artigo, explicaremos como fazer o descarte correto do óleo e seu destino após o uso. Confira.

O “Do it yourself” está se tornando comum

O serviço de manutenção feito pelo proprietário, chamado “Do it yourself” ou “faça você mesmo” é muito comum em outros países, como nos Estados Unidos. Porém, cada vez mais ganha adeptos no Brasil. Afinal, é uma grande satisfação ver a sua moto ou carro bem cuidado e fazer você mesmo o serviço preventivo permite amplo conhecimento sobre o equipamento e a qualidade da manutenção realizada.

A facilidade da compra de lubrificantes e itens para o cuidado do veículo pela internet, assim como a disponibilidade de informações sobre como trocar o óleo de motor e outros serviços, permitem que as manutenções preventivas sejam feitas pelo proprietário da moto ou carro. 

Mas, como em qualquer outro serviço de manutenção, para fazer a troca de óleo é necessário seguir as recomendações do fabricante do veículo. Em nosso Guia de Aplicações é possível encontrar os produtos ideais para o seu veículo.

Para carros, a realidade no Brasil ainda não é tão comum quanto no mercado americano. Isso acontece por diversos fatores, como demanda de espaço para a realização de tarefas, falta de ferramentas específicas, dificuldade do serviço, entre outros. Já no segmento de motos, em muitos casos, o proprietário realiza a manutenção preventiva e os cuidados estéticos.

Mas, independentemente de qual seja o seu veículo, fazer o descarte correto do lubrificante usado é muito importante e é isso que veremos a seguir.

Descarte correto do óleo

A principal matéria prima do lubrificante automotivo, seja ele para o motor, transmissão ou diferencial, é o petróleo que após o refino proporciona o óleo básico para a formulação do lubrificante.

Por sua vez, essa origem fóssil não é biodegradável e apresenta elevado potencial de contaminação. Apenas 1 litro de óleo lubrificante usado ou contaminado (OLUC) pode chegar a contaminar 1 milhão de litros de água se descartado incorretamente. Por isso, jamais descarte o lubrificante usado ou a sobra do óleo que não será utilizado diretamente através da rede de esgoto ou no solo. 

O CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE – CONAMA, através da resolução nº 362 de 23 de junho de 2005, determina que todo lubrificante usado ou contaminado seja coletado e destinado ao processo de rerrefino. Ou seja, o óleo deve passar por reciclagem para que este esteja apto ao uso.

Para que a logística reversa do lubrificante aconteça, os produtores, importadores, revendedores, coletores e geradores de óleo devem cumprir com as suas atribuições. 

O óleo lubrificante usado deve ser recolhido de forma segura. Existem medidas para evitar que haja mistura com produtos químicos, combustíveis, solventes, água e outras substâncias, evitando a inviabilização da reciclagem. Ele deve ser entregue ao respectivo revendedor ou coletador para que o óleo contaminado possa ter o destino adequado. Caso haja lubrificante em sua casa leve até uma oficina ou centro automotivo que estes revendedores podem receber este óleo.

Ciclo de vida do lubrificante

Todo OLUC (óleo lubrificante usado ou contaminado) deve ser recolhido no processo de troca. Após a coleta, deve ser entregue à indústria responsável pelo rerrefino do lubrificante.

Os produtores (empresas que produzem o lubrificante final) e importadores (empresa que realizam importação de lubrificantes) são obrigados a coletar todo óleo disponível ou garantir o custeio de toda a coleta de óleo lubrificante usado ou contaminado. É determinado ainda que o percentual mínimo de coleta de óleos lubrificantes usados ou contaminados não seja inferior a 30%, em relação ao óleo lubrificante acabado comercializado.

Em outras palavras, a resolução não determina a matéria prima que o produtor ou importador deve utilizar em suas formulações, mas obriga que toda empresa que introduz óleo lubrificante no mercado brasileiro seja responsável pelo descarte correto de, ao menos, 30% do total comercializado.

Mesmo que todo lubrificante retirado dos veículos seja direcionado aos rerrefinadores, sempre a quantidade de lubrificante comercializado será maior do que o volume coletado, uma vez que durante o funcionamento do motor uma parcela de lubrificante é consumida, impossibilitando a recuperação de 100% do volume vendido.

Qual é o destino do lubrificante após o rerrefino?

O processo de rerrefino irá oferecer óleo básico para formulação de um novo lubrificante. Após a obtenção do óleo básico rerrefinado, a indústria pode comercializar este produto para o produtor que optar por utilizar a matéria prima para formular seu lubrificante.

O óleo básico rerrefinado é classificado em grupos conforme as suas características físico-químicas, assim como o óleo básico de primeiro refino. Portanto, sob o ponto de vista de categorias de classificação, não há diferença entre lubrificante rerrefinado ou de primeiro refino. O fator determinante é a qualidade do óleo básico obtido através do processo realizado na indústria. Veja o artigo onde falamos sobre a diferença de categorias e tipos de óleos básicos.

Atualmente, com toda a evolução tecnológica e controle em relação a coleta dos lubrificantes usados, é possível obter óleo básico rerrefinado de alta qualidade. Isso, é claro, se a indústria responsável pelo rerrefino dispuser de equipamento capaz de regenerar a matéria prima de forma compatível com a performance desejada para lubrificantes modernos.

Além de não contaminar o meio ambiente, o descarte correto do óleo permite que a indústria aproveite novamente o lubrificante. Isso gera um impacto ambiental inferior e reduz a dependência da extração e refino de petróleo cru para a obtenção de lubrificantes.

É importante entender que o rerrefino do óleo lubrificante não é exclusividade do Brasil. Diversos países como Alemanha, Dinamarca, Itália, Holanda, outros países da União Europeia e Estados Unidos utilizam esse processo e adotam medidas análogas às do Brasil para atender o ciclo de vida do lubrificante e logística reversa.

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