Lubrificação

Lubrificação

Diferenças entre lubrificantes automotivos

Danilo Silva
Engenheiro Técnico | Publicado em: 06/04/2020

O primeiro questionamento sobre os lubrificantes automotivos diz respeito à composição, mais especificamente sobre o óleo básico. Neste momento, perguntamos: “Este lubrificante é mineral, sintético ou semissintético?”.

A resposta para esta pergunta não descreve totalmente a qualidade de um lubrificante.

Os lubrificantes automotivos são compostos por óleo básico, entre 70% a 95% do volume total, e o restante é preenchido com o pacote de aditivos.

Óleos básicos são classificados em cinco diferentes grupos de acordo com o seu desempenho, características e composição química.

Grupo I

Classificado como mineral, é extraído através do processo convencional de destilação e, consequentemente, apresenta menor nível de qualidade em relação aos outros grupos.

Grupos II e III

São obtidos, respectivamente, por meio do processo de hidrotratamento e hidrocraqueamento da matéria prima.

Grupos IV e V

Já os grupos IV e V são desenvolvidos quimicamente com propriedades e características superiores. Veja a classificação e os parâmetros abaixo.

Diferença entre lubrificantes automotivos

Classificação do óleo básico

Os lubrificantes automotivos são classificados como mineral se estiverem formulados com os grupos I e/ou II. Se possuírem 10% em massa de qualquer básico sintético, já é o suficiente para serem comercializados como semissintético, enquanto os lubrificantes sintéticos não possuem em sua composição óleo básico dos grupos I e II.

Também é possível encontrar lubrificantes com a mesma classificação, todavia com desempenho muito distinto. A divergência, em geral, é maior em lubrificantes semissintéticos, pois o fabricante pode formular um lubrificante semissintético com os requisitos mínimos de base sintética e mineral de grupo I ou utilizar minerais superiores somado a maior quantidade de sintético em sua base.

Em lubrificantes sintéticos, a discrepância acontece, principalmente, entre lubrificantes comuns e lubrificantes de alto desempenho, que são reforçados com sintéticos do grupo IV e V, e um bom pacote de aditivos. A diferença de qualidade entre lubrificantes minerais está associada a proporção de grupo I/II e os aditivos utilizados.

O Éster (Grupo V) é utilizado em lubrificantes, entre outras coisas, por apresentar excelentes propriedades físico-químicas, possuindo alta detergência, estabilidade em baixas temperaturas, além de ser atraído pelas superfícies metálicas.

A sua aplicação na indústria automotiva traz benefícios como maior durabilidade do motor, facilidade na partida, melhor tempo de resposta do motor, redução do desgaste, redução de ruídos, entre outros.

É importante ressaltar que, de acordo com a legislação vigente pela ANP (Agência Nacional de Petróleo), nenhum fabricante de óleo é obrigado a descrever na embalagem quais grupos de óleo compõe o lubrificante, apenas a classificação geral mineral, semissintético ou sintético. Apesar disso, em alguns produtos, a Motul indica na ficha técnica e embalagem a utilização do Éster na composição.

O que é significa Technosynthese®?

Provavelmente você já observou em alguns produtos da Motul essa nomenclatura e isso pode ter provocado o questionamento do que significa.

Technosynthese® é uma tecnologia avançada e exclusiva da Motul. A definição não está relacionada a classificação do óleo, está diretamente associada ao desempenho superior proporcionado pelo lubrificante com ótima relação de custo/benefício.

Outra dúvida comum sobre os produtos para veículos leves da Motul é a diferença entre a linha 8100, que possui a tecnologia 100% Synthetic, e a nova linha 6100 com a tecnologia Technosynthese®. Os produtos de ambas as linhas são formulados somente com óleo básicos sintéticos, portanto, são lubrificantes sintéticos, porém como vimos neste artigo mesmo entre lubrificantes sintéticos há diferença de desempenho.

De modo geral, os produtos da linha 6100 atendem as normas mais recentes da API, ACEA, ILSAC e normas originais dos fabricantes (OEM), estes produtos possuem aditivos que proporcionam alta proteção contra o desgaste, maior limpeza e durabilidade do motor, assim como economia de combustível.

A linha 8100 é formada por produtos que apresentam as mesmas características de rendimento, porém com um desempenho superior e é indicada quando o motor for submetido a condições severas de uso, sob altas cargas ou com intervalo de troca mais estendido.

Para o uso em pista ou sempre que o objetivo for extrair a máxima potência do motor e alta resistência ao desgaste, os produtos da linha 300V são os recomendados, pois estes possuem a tecnologia ESTERCore® e permitem a geração de potência máxima pelo motor.

Por fim, o que buscamos em um lubrificante é o desempenho e o melhor rendimento com a maior proteção. O caminho para a formulação de um lubrificante premium começa em um óleo básico de qualidade em equilíbrio com um excelente pacote de aditivos.

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